Existem evidências de que cachorros e seus ancestrais são domesticados desde a pré-história. O animal caminha junto ao nosso lado “desde sempre” e, mesmo assim, ainda é cercado de estereótipos que, por vezes, não têm nenhum fundamento.
Pensando nisso, uma adestradora profissional de cachorros chamada Mischa Oldman resolveu arregaçar as mangas e elencou cinco conceitos sobre a prática com cachorros que contrariam o senso comum. Veja:

1 - Paciência é mais importante do que tudo

Ensinar comportamentos a um cachorro não acontece da noite pro dia. Se ele não aprender a rolar na segunda ou terceira vez, continue tentando. Se ele não aprender depois da décima, da vigésima vez, não importa. Todo cachorro tem capacidades cognitivas, mas com algumas diferenças.
A maioria, por exemplo, faz associações a lugares e momentos específicos: se você gastou duas horas ensinando ele a sentar no chão da sua casa, não significa que ele vai responder ao comando em qualquer hora e em qualquer lugar. Vai ser necessário treiná-lo em outros lugares e outras situações, com repetição e consistência. A mesma regra vale para quase todas as ações do animal.

2 - Puxar a coleira não o faz aprender a parar

Eis uma lição sobre o sistema nervoso dos cachorros: puxar uma coleira ativa neles o senso de movimento oposto, de resistência. Logo, quanto mais você puxa a coleira esperando que isso o ensine a parar, mais está estimulando exatamente o contrário.
Estabilidade é a palavra chave quando se passeia com o animal. O ideal é que a coleira tenha sempre o mesmo comprimento, para que ele se acostume à distância e regule os próprios passos. Se ele começa a latir raivosamente para um gato, por exemplo, é importante não puxar a coleira com força. O melhor é tentar seguir o movimento do animal com a maior naturalidade possível, e só intervir se parecer realmente que ele vai realmente atacar algo ou alguém.

3 - Comida mais cara raramente é mais benéfica

Não é incomum que marcas de ração lancem produtos mais refinados sob o argumento de conterem nutrientes especiais para os cães, tais como glucosamina e multivitaminas. Algumas empresas chegam a preparar linhas especiais para filhotes, cães adultos e cães idosos. Na esmagadora maioria dos casos, de acordo com a especialista, se trata de jogar dinheiro fora.
Uma ração comum, de acordo com Mischa, já cobre todos os nutrientes que são realmente necessários ao cachorro. Se por alguma razão ele tiver uma deficiência que exija uma alimentação especial, ela deverá ser indicada por um veterinário. Outra coisa: nenhuma substância que seja necessária a um São Bernardo de 100 quilos será dispensável a um chihuahua que cabe na palma da mão. A quantidade obviamente muda, mas a dieta pode ser a mesma.

4 - Falar com o cachorro só o confunde ainda mais

Muita gente se gaba de ter uma relação de estreita sintonia com seu cachorro, e garante que ele entende tudo que o dono fala para ele. Segundo a treinadora, isso é balela. O cachorro até pode, com o tempo, atender pelo próprio nome e executar ordens como “senta”, “deita” e “rola”, mas a capacidade lexical deles não vai muito além disso.
Se você está tentando ensinar algo ao cão, ficar falando com ele sem parar só vai atrapalhar o raciocínio do bicho com sons incompreensíveis. É como se alguém ficasse berrando palavras em japonês no seu ouvido enquanto você tenta resolver uma equação. O segredo, portanto, são estímulos visuais, muito mais eficazes, e palavras simples.

5 - Punir um cachorro só o faz ficar confuso

Da mesma forma que se tenta educar crianças e adultos com punições por seus erros, muitos donos de cães acham que o animal aprende logo um sistema de recompensas e castigos. Mas não funciona bem assim. Os cachorros não associam uma atitude que acabaram de tomar ao tratamento recebido em seguida. Por exemplo, se o seu animal fizer uma sujeirinha pecaminosa no tapete da sala e você gritar com ele em seguida, ele não vai pensar “eu não devia ter feito isso”, e sim algo como “meu dono é louco, há cinco minutos ele estava me agradando”.

Adaptado de Hypescience

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