Das rodas de truco com os amigos às mesas das cartomantes e passando pelo jogo de paciência que salvou muitas vidas do tédio antes da internet, o baralho está ali, fazendo história, aproximando pessoas, criando rivalidades e amizades. A seguir, conheça algumas curiosidades sobre baralhos:

1 - A invenção do baralho

Você já deve ter ouvido falar que jogos de tabuleiro são antigos e que, inclusive, eram bastantes populares na época do Império Romano e no Egito Antigo. É por isso que, comparando, o baralho é uma invenção relativamente nova.

Os primeiros registros históricos desse tipo de jogo são dos séculos XIII e XIV, e, diferente dos tabuleiros, com o baralho os jogadores não têm a visão completa do que está acontecendo na rodada. O baralho trouxe, portanto, a sensação de mistério junto com cada jogada. Será que é por causa do mistério que cartomantes usam as cartas para prever o futuro?

A popularidade dos jogos com baralhos tem muito a ver com a grande quantidade de jogos existentes – truco, tranca, buraco, paciência, copas, pôquer e por aí vai –, além da facilidade de transporte.

2 - Nem todo jogo de cartas é um baralho

Parece confuso, mas na verdade é bem simples. Por definição, baralho é aquele conjunto de cartas com números, seguidos do valete, da dama e do rei, e diferenciadas por quatro naipes diferentes, sendo dois pretos e dois vermelhos. É por isso que cartas de outros jogos, como as do Mico, por exemplo, com imagens diferentes, não são chamadas de baralho. Pelo menos não deveriam...

3 - Em outras partes do mundo

Registros de baralhos coreanos datam do século XIX e, fisicamente falando, são cartas completamente diferentes daquelas que conhecemos – e, inclusive, em nada se parecem com as do baralho chinês.

Na Europa, o baralho já era conhecido desde o século XIV. Não se sabe como o continente conheceu os “jogos de azar” e, nesse sentido, há muita informação cruzada: enquanto alguns historiadores acreditam que ciganos trouxeram a tradição ao continente, há quem acredite que o baralho foi trazido por Marco Polo ou por outros descobridores. Alguns estudiosos acreditam que quem criou o baralho foi o rei francês Carlos VI, em 1392 – detalhe: nessa época, o baralho já era comum na Europa.

Na Índia, as cartas são diferentes e redondas. Além de tudo, na terra do Taj Mahal há o baralho de 120 cartas com 10 naipes diferentes! Estima-se que os indianos tenham começado a gostar dos jogos de cartas apenas no século XVI.

O Japão conheceu o baralho graças aos portugueses, que chegaram ao país com a novidade no século XVII.

4 - Outros usos

Em 1793, durante a Revolução Francesa, havia pouco papel moeda e, para resolver o problema, cartas de baralho foram utilizadas para a impressão de novas notas. Algo semelhante ocorreu no Canadá e no Suriname.

Quando o papel de cartão utilizado para fazer o baralho era de difícil acesso, os baralhos já prontos acabavam sendo utilizados em encadernação de livros e cartões de visita!

Cartas de baralho eram utilizadas também para identificar crianças deixadas em orfanatos no início do século XIX. Era comum que as mães pensassem em recuperar os filhos e, por isso, deixassem um pedaço de uma carta preso à roupa do bebê – o outro pedaço ficava com a mãe. Quando tinham melhores condições financeiras e sociais, elas retornavam aos orfanatos com o pedaço de carta, na esperança de reencontrar seus filhos.

5 - Avisos

Se hoje as embalagens de cigarro alertam para o fato de que fumar é perigoso, talvez a inspiração para esse tipo de alerta tenha surgido com base em um caso registrado em 1796, quando uma cidade ao norte da Suíça registrou a denúncia contra um grupo de fazendeiros que jogaram Jass por uma noite inteira.

A repreensão que eles sofreram foi grande e, a partir daquele momento, o Conselho da Cidade recomendou que os moradores da região evitassem abusar dos jogos. Um fabricante local passou a imprimir caixas de baralho com a frase “Ad usum, non abusum”, que significa “para usar, sem abusar”.

Adaptado de Copag

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