Quem vira a página de uma HQ pode não saber o que vai encontrar do outro lado, mas se deixa levar pelos traços cheios de movimento que desenham a ação. São os detalhes, as páginas minuciosamente trabalhadas em diferentes estilos, que guiam a nossa imaginação através do universo habitado por super-heróis. Confira 5 dos desenhistas estrangeiros que deixaram a sua marca na história das HQs.

1 - Joe Shuster (1914 – 1992)

No currículo do ilustrador canadense Joseph “Joe” Shuster, um grande título salta aos olhos: ele criou o Super-Homem. Ao lado de seu amigo de longa data, Jerry Siegel, Shuster começou a rascunhar fanzines ainda no colégio. Uma delas, publicada em 1933, trazia a história “O Reino do Super-Homem”, que, apesar do nome, não tinha muito a ver com o herói de capa vermelha. Pelo contrário, aliás. O super-homem em questão era um vilão telepata que queria dominar o mundo.

Descontente com o resultado, a dupla resolveu dar uma nova forma ao personagem, criando o alter-ego Clark Kent e o herói com contornos míticos que passaria a lutar pela justiça. Passaram-se seis anos e inúmeras tentativas frustradas para publicar a história, até que  Super-Homem despertou o interesse de Malcolm Wheeler-Nicholson, que decidiu colocar o herói na capa do novo quadrinho da National Allied Publications (precursora da DC Comics), a Action Comics #1, de junho de 1938. Um marco era estabelecido ali: o personagem não apenas ajudou a criar todo o gênero dos super-heróis nas histórias em quadrinhos, como estabeleceu também sua supremacia nas HQs americanas. Não por acaso, a capa da primeira edição foi vendida por 1 milhão de dólares em fevereiro de 2010. Quem dá mais?

2 - John Byrne (1950 – )

Boa parte do humor que está presente em adaptações cinematográficas de aventuras de heróis, como X-Men, Os Vingadores e O Quarteto Fantástico, se deve à dupla formada pelo desenhista canadense John Byrne e o roteirista britânico Chris Claremont. Em 1977, os artistas deram início ao trabalho marcante nos quadrinhos dos mutantes. A partir da edição número 108 de The X-Men, a dupla criou os icônicos arcos Dark Phoenix Saga, Days of future past e Proteus, muito bem recebidos (e ainda adorados) pelo público. Deve-se à dupla também a permanência de Wolverine no time do Professor Xavier. Juntos, os artistas não só firmaram o lugar do herói canadense nos quadrinhos mas também o moldaram como o personagem tão popular e adorado que conhecemos hoje.

Além de suas passagens marcantes por Os Vingadores e Capitão América no final dos anos 70, Byrne também liderou O Quarteto Fantástico em sua chamada “segunda era de ouro”, entre os anos 1981 e 1986.

3 - Steve Ditko (1927 – )

Steve Ditko começou entre os grandes, tendo como mentor Jerry Robinson, desenhista dos quadrinhos do Batman na década de 1940 e seu professor na Cartoonist Ilustrators School, em Nova York. Começou sua carreira profissional em 1953, no estúdio de Joe Simon e Jack Kirby. Ao lado de Stan Lee, Ditko deu vida ao Homem-Aranha, que apareceu pela primeira vez no quadrinho Amazing Fantasy #15, de 1962. O Cabeça-de-teia foi o primeiro adolescente a ganhar o posto de protagonista no universo Marvel.

Ditko também deu forma ao Dr. Estranho, que apareceu pela primeira vez no quadrinho  Strange Tales #110, de julho de 1963, e figurou em diversos sub-produtos Marvel, como animações, videogames e filmes.

4 - John Romita Jr. (1956 -)

Filho de cartunista, cartunista é. Nascido do berço do criador de diversas e memoráveis histórias do Homem-Aranha nas décadas de 60 e 70, John Romita Jr. começou sua carreira na Marvel britânica e despontou com Demon in a Bottle, de 1979. A edição, que traz o Homem de Ferro Tony Stark em conflito com o alcoolismo, foi premiada no ano seguinte nos Eagle Awards, prêmio britânico dos quadrinhos.

Valorizando o roteiro visualmente com estética e acabamentos elegantes, Romita foi destaque nos quadrinhos a partir dos anos 80: criou, junto de Roger Stern, o vilão Duende Macabro em 1983; recebeu uma indicação ao Eisner Awards em 1989 por seu trabalho nos quadrinhos do Demolidor; e assinou, nos anos 2000, a edição do 30º aniversário de Wolverine, junto com o roteirista Mark Millar. Ao lado do escocês, criou também Kick Ass, quadrinho lançado em abril de 2008. Seu protagonista, Dave Lizewski, um adolescente que decide se tornar um super herói na vida real, foi transportado para as telonas em 2010 em um filme dirigido por Matthew Vaughn. A sequência cinematográfica da aventura está planejada para 2013.

5 - Frank Miller (1957 – )

O universo dos quadrinhos se tornou bem mais sombrio com os traços de Frank Miller. O artista americano, que começou sua carreira profissional nos anos 1970, trilhou seu caminho na DC Comics, com elogiada passagem pelos quadrinhos do Demolidor. Deixou sua marca também na HQ do morcego, com as sagas Batman: The Dark Knight Returns e Batman: Ano 1, do final dos anos 1980. “Estes trabalhos têm uma enorme importância histórica. O Cavaleiro das Trevas e Ano 1 são, ainda hoje, os trabalhos usados como referência máxima para os novos quadrinhos, animações e adaptações cinematográficas do personagem. São leituras obrigatórias, verdadeiras obras primas”, afirma o professor e quadrinista Cristiano Seixas.

Explorando a estética do film-noir, Miller criou em 1991 Sin City, uma cidade de pecados e altos contrastes que foi levada para os cinemas em 2005. Robert Rodriguez volta ao posto de diretor para a nova adaptação da graphic novel, prevista para 2013. Também transposta para a telona, 300 foi lançada nas páginas em 1998, e chegou aos cinemas em 2006, tenho continuação engatilhada e prevista também para 2013. A graphic novel recebeu o Oscar dos quadrinhos em 1999, prêmio recebido por Miller direto das mãos de Eisner.

Você deve ter percebido a ausência de nomes como Stan Lee e Alan Moore na lista. Apesar de terem sido citados, eles só não aparecem porque seus trabalhos estão mais concentrados nos roteiros e não nos desenhos. E esta é uma lista de desenhistas =).

Adaptado de Superinteressante

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