Muitos livros, seriados, filmes e jogos são inspirados na história medieval e é tentador pensar que eles representam aspectos reais dessa vida na antiguidade. Não é o caso. Muitas vezes, eles apenas reforçam mitos e equívocos.

Romances de fantasia certamente não precisam ser historicamente precisos, mas quando tantos são tão equivocados, as pessoas podem ficar com uma impressão errada de que sabem como a vida na Idade Média era.

Outra coisa que é importante lembrar é que o período medieval se estende por um longo tempo – desde o século 5 dC ao século 15 dC – e envolve um grande número de países europeus. Assim, algumas coisas podem ser verdade para um certo tempo e local, mas não para todos.

Conheça algumas afirmações comuns sobre essa época que estão erradas:

1 - A mais poderosa força militar era composta de cavaleiros em armaduras

James G. Patterson em “Misconceptions About the Middle Ages” afirma que, embora a imagem do cavaleiro montado possa ter sido popular durante a época medieval, não corresponde à realidade da guerra na época. A cavalaria podia ser extremamente útil contra revolucionários não treinados, mas era muito menos eficaz contra a infantaria estrangeira treinada. Em vez disso, as forças terrestres, incluindo cavaleiros a pé que frequentemente serviam como oficiais, eram de extrema importância na batalha. Mesmo durante as Cruzadas, quando a imagem do cavaleiro parecia sinônimo de glória, a maioria das batalhas reais envolviam cercos.

No século 14, a guerra inglesa focou cada vez mais no tiro com arco. Na verdade, Eduardo III proibiu a prática de futebol em 1331 e novamente em 1363, em parte porque as pessoas estavam gastando muito tempo jogando bola ao invés de praticar arco e flecha. Os arqueiros ingleses eram muito dinâmicos e foram capazes de repelir uma força da cavalaria francesa.

2 - Servos eram todos pessoas de classe baixa

Na verdade, se você fosse um indivíduo de alto escalão, você provavelmente teria um servo de alto escalão. Um senhor podia enviar seu filho para servir a outro senhor – talvez na mansão do irmão de sua esposa, por exemplo. O filho não receberia nada, mas ainda assim seria tratado como o filho de um lorde. O mordomo de um senhor podia ser ele mesmo um senhor. O status de alguém na sociedade não vinha apenas do fato de ser ou não um servo, mas também de seu status familiar, de quem ele serve e de qual trabalho desempenha.

Além disso, nas famílias inglesas no final da Idade Média, os servos eram predominantemente masculinos. Mortimer aponta para o conde da casa de Devon, que tinha 135 servos, apenas três mulheres. No geral, com exceção de uma lavadeira (que não vivia na casa), os funcionários eram todos homens, mesmo em famílias chefiadas por mulheres.

3 - Medicina era baseada em pura superstição

Sim, muitas vezes a cura vinha “dos deuses”, e um monte de coisas na medicina medieval era baseado no que poderíamos considerar hoje besteira mística. Uma grande quantidade de diagnóstico envolvia astrologia e teoria humoral. A sangria era um método respeitado de tratamento, e muitos dos curativos não eram apenas inúteis – eram francamente perigosos.

Ainda assim, alguns aspectos da medicina medieval eram lógicos mesmo para os padrões modernos. Envolver pacientes de varíola em pano de carmesim, o tratamento da gota com plantas do gênero Colchicum, usar óleo de camomila para dor de ouvido – todos esses eram tratamentos eficazes. E, enquanto a noção de um cirurgião-barbeiro é horrível para muitos de nós, alguns desses cirurgiões eram realmente talentosos. John Arderne, por exemplo, já empregava anestésicos em sua prática, e muitos médicos eram hábeis em tratar catarata, costurar abscessos e reposicionar ossos deslocados.

4 - As pessoas tinham péssimas maneiras à mesa, jogando ossos e pedaços de comida no chão

Mesmo na Idade Média, os membros da sociedade educada, de reis a vilões, seguiam certa etiqueta, e essa etiqueta envolvia boas maneiras à mesa. Na verdade, dependendo de quando, onde e com quem você estava comendo, era preciso seguir regras muito exigentes.

Aqui vai uma dica: se um senhor passar-lhe seu copo na mesa de jantar, é um sinal de que você deve aceitá-lo, tomar um gole e passá-lo de volta para ele depois.

5 - As pessoas desconfiavam de todas as formas de magia e bruxas eram frequentemente queimadas

Na maioria dos casos de histórias medievais, a magia é tratada com desconfiança na melhor das hipóteses, ou como blasfêmia na pior. Mas nem todas as reivindicações de magia na Idade Média eram tratadas como heresia.

No livro “Misconceptions About the Middle Ages”, Anita Obermeier elucida que, durante o século 10, a Igreja Católica não estava interessada em julgar bruxas por heresia; estava mais interessada em erradicar superstições heréticas sobre “criaturas noturnas voadoras”. E no século 14 na Inglaterra, era possível consultar um mago ou uma bruxa para resolver problemas pequenos, como encontrar um objeto perdido.

No geral, na Inglaterra medieval, a magia sem quaisquer componentes heréticos era tolerada. Eventualmente, o final do século 15 deu origem a Inquisição Espanhola, e daí sim as bruxas começaram a ser caçadas.

Queima das bruxas não era impossível na Idade Média, mas também não era corriqueira. Obermeier explica que, no século 11, a feitiçaria era tratada como um crime secular, mas a igreja emitia várias reprimendas antes de recorrer a queima. Ela coloca a primeira queima por heresia em 1022 em Orleans e a segunda em 1028 em Monforte. Rara nos séculos 11 e 12, torna-se uma punição um pouco mais comum no século 13 para os hereges recorrentes.

Por fim, a queima também era uma punição que dependia de onde você estava. No século 14, você provavelmente não seria queimado como bruxa na Inglaterra, mas poderia muito bem ser na Irlanda.

Adaptado de io9

0 comentários:

Postar um comentário

 
Top