A realidade é muitas vezes pior do que a ficção. Os casos abaixo começaram como crimes misteriosos, e reviravoltas ainda mais mirabolantes do que as inventadas por autores acabaram ajudando a polícia a descobrir os culpados.

1 - Assassino guarda evidência de seu crime por 54 anos

Na noite de 3 de dezembro de 1957, Maria Ridulph, sete anos de idade, estava brincando na rua com sua amiga em Sycamore, Illinois (EUA), quando elas foram abordadas por um jovem que se apresentou como “Johnny”. A amiga de Maria voltou para casa para pegar alguma coisa, mas, quando retornou, Maria e Johnny tinham desaparecido. Em 26 de abril de 1958, restos do esqueleto da garota foram descobertos em um campo a 160 km de distância. Um suspeito potencial era o vizinho de 17 anos de idade, John Tessier (foto acima), que se parecia com o homem visto pela última vez com Maria. No entanto, como Tessier tinha feito uma viagem de trem para Rockford para se alistar na Força Aérea na noite do desaparecimento da menina, aparentemente tinha um álibi.

54 anos depois, uma série notável de eventos resolveu o assassinato de Maria Ridulph. Em 1994, a mãe de Tessier estava doente e supostamente fez uma confissão no seu leito de morte de que seu filho era responsável pelo assassinato de Maria. Como uma das irmãs de Tessier tinha sido abusada sexualmente por ele durante sua infância, ela convenceu a polícia a reabrir o caso. A esta altura, Tessier havia mudado seu nome para Jack McCullough. A única coisa apontando para sua inocência era seu álibi original, e uma evidência improvável fez com que desmoronasse. Quando uma das ex-namoradas de McCullough forneceu a polícia um porta-retratos com uma fotografia dos dois, os investigadores encontraram o bilhete de trem de McCullough para Rockford escondido dentro. O bilhete não estava carimbado, o que significa que não tinha sido utilizado e McCullough na verdade não tinha saído de Sycamore naquela noite. Em 2011, McCullough foi finalmente acusado do assassinato de Maria Ridulph, e graças ao testemunho ocular da amiga de infância de Maria, foi condenado e sentenciado à prisão perpétua.

2 - Caso antigo de 36 anos é solucionado por chiclete mastigado de sem-teto

Em 12 de junho de 1976, os vizinhos de Blanche Kimball contataram as autoridades para notificar que não viam o residente de 70 anos de idade da cidade de Augusta, Maine (EUA), há dias. Quando a polícia chegou à casa de Kimball, viu uma cena de assassinato brutal. O homem estava morto no chão da sua cozinha, esfaqueado dezenas de vezes. A investigação se voltou para o sem-teto Gary Robert Wilson (foto acima), 27 anos, que havia morado brevemente na casa de Kimball antes do assassinato. Pouco tempo depois, Wilson foi pego invadindo uma outra casa no bairro, mas rapidamente saiu da cidade. Uma vez que o principal suspeito não foi encontrado, o assassinato de Kimball permaneceu sem solução.

Em 2010, o morador de rua já idoso Gary Raub entrou em uma briga com um homem em Capitol Hill, Seattle (EUA), que terminou com Raub cortando o estômago do homem. Nenhuma acusação foi feita porque a vítima não pôde ser localizada, mas a polícia encontrou a faca de Raub e fez uma descoberta surpreendente: o DNA no objeto era o mesmo da cena do assassinato de Blanche Kimball. Gary Raub era Gary Robert Wilson, e tinha sido preso várias vezes desde que deixou Augusta, em 1976. Assim, a polícia do estado de Maine pediu que a polícia de Seattle obtivesse uma amostra de DNA de Raub para ter certeza de que ele era o assassino. E eles fizeram isso de uma forma bizarra. Depois de encontrar Raub vagando pelas ruas, um policial disfarçado pagou-lhe para participar de uma pesquisa falsa para uma marca de goma de mascar, o que exigia que Raub experimentasse diferentes sabores de chiclete. A polícia guardou a goma e a usou para obter o DNA do sem-teto, o que o ligou definitivamente à morte de Kimball. Raub foi preso e acusado do crime.

3 - Homem de 34 anos encontra sua foto em site de crianças desaparecidas

Em 1977, Mark Barnes e Charlotte Moriarty tiveram um filho juntos em Hau’ula, no Havaí. O garoto foi chamado de Marx Panama Moriarty Barnes (foto acima). Em 21 de junho, Charlotte saiu com o bebê de seis meses de idade, informando o marido que ia em uma loja. Nenhum voltou para casa naquele dia. Mark notificou a polícia e uma extensa investigação foi feita na ilha, mas nenhum vestígio de Charlotte ou Marx foi encontrado.

Charlotte havia fugido com o filho, e sido presa depois de invadir uma casa. Ela disse à polícia que seu nome era “Jane Amea” e o de seu filho era “Tenzin”. Charlotte foi internada em um hospital psiquiátrico, enquanto Marx foi enviado para um orfanato. Quando tinha três anos, ele foi adotado por Steve e Pat Carter, um casal de Nova Jersey que estava morando no Havaí. Eles não tinham ideia de que Marx tinha sido raptado de seu pai. Em 2011, com 34 anos, Marx viu uma notícia sobre Carlina White, bebê sequestrada que foi reunida com sua mãe biológica depois de 23 anos. Marx começou a suspeitar de que ele poderia ter sido sequestrado também, e resolveu navegar em sites de crianças desaparecidas. Ele encontrou o perfil de Marx e ficou chocado com o quanto a fotografia de previsão de aparência para sua idade atual se assemelhava a ele. Teste de DNA confirmou que ele era o filho desaparecido de Mark Barnes, e Marx foi reunido com seu pai biológico. O atual paradeiro de Charlotte Moriarty é desconhecido.

4 - Mulher é assediada – recebe mais de 2.000 chamadas de telefone – por um objeto inanimado

Em 1995, Donna Graybeal foi atormentada e assediada pelo telefone. Ao longo de seis meses, ela recebeu um total de 2.688 chamadas estranhas em sua casa em Billerica, Massachusetts (EUA). Seu telefone tocava em intervalos constantes de 90 minutos, e sempre que ela atendia, não ouvia a voz de ninguém. Em vez disso, tudo que escutava era uma lufada de ar por alguns segundos antes de a chamada cair. Graybeal finalmente decidiu envolver a polícia, e eles rastrearam as chamadas até a casa de Theodore e Elisabeth James, um casal em Potomac, Maryland (EUA). No entanto, os James eram completamente inocentes.

As chamadas misteriosas haviam sido feitas, na verdade, por um culpado muito improvável. O agressor era um tanque de aquecimento a óleo no porão da casa. O tanque não estava mais sendo usado, porém, oito anos antes, um dispositivo de autodiscagem havia sido instalado no tanque pelo seu fabricante original, Steuart Petroleum. O dispositivo foi projetado para ligar automaticamente para a empresa e informá-los sempre que estivesse com pouco combustível. O número foi desligado em fevereiro de 1995. Mais tarde, Donna Graybeal obteve um número para um negócio que estava gerenciando de sua casa, exatamente o mesmo do dispositivo de discagem automática. Pouco tempo depois, o dispositivo do tanque reativou sozinho e começou a fazer uma série ininterrupta de chamadas para a residência de Graybeal. No final das contas, ela foi contatada mais de 2.000 vezes por um objeto inanimado.

5 - Homem é condenado, absolvido e condenado novamente do mesmo crime

Em 12 de maio de 1985, Kathryn Eastburn (foto acima), a esposa de um capitão da Força Aérea que vivia com sua família em Fayetteville, Carolina do Norte, nos EUA, foi encontrada estuprada e morta a facadas em sua casa. Duas de suas filhas, Kara, cinco anos, e Erin, três anos, também haviam sido brutalmente assassinadas. Enquanto sua terceira filha, Jana, de 22 meses, foi poupada, ela ficou perto de morrer de desidratação em seu berço. A polícia acusou um suspeito do crime: Timothy Hennis, um sargento do exército americano atuando em Fort Bragg. Poucos dias antes dos assassinatos, Hennis esteva na residência de Kathryn para adotar seu cão, e uma testemunha afirmou ter o visto na vizinhança na noite do crime. Em 1986, Hennis foi considerado culpado de assassinato em primeiro grau e condenado a morte.

Porém, como as provas contra Hennis eram circunstanciais, muita polêmica cercou o veredicto. Seus advogados foram capazes de obter-lhe um novo julgamento três anos depois, no qual Hennis foi absolvido. Logo, ele retomou sua carreira no exército. Mas este não foi o fim da história. Em 2007, o inquérito foi reaberto, e testes realizados em amostras de sêmen da cena do crime mostraram que o DNA pertencia à Timothy Hennis. Em circunstâncias normais, Hennis não poderia ser acusado de assassinato novamente, por caracterizar dupla penalização (ah, a lei…). No entanto, como Hennis ainda era um membro do exército, ele pode ser julgado por um tribunal militar. Assim, em 2010, foi considerado culpado e recebeu a distinção de ser a única pessoa condenada à morte pelo mesmo crime duas vezes.

Adaptado de Listverse

0 comentários:

Postar um comentário

 
Top