Há duas maneiras igualmente burras de pensar no futuro. Há tanto o otimismo cego de que toda mudança é única e para o melhor (“a invenção da bomba atômica certamente irá acabar com o conceito de guerra para sempre!”), bem como o pânico cego de que cada inovação irá causar o apocalipse.

Só que eu APOSTO que você não sabia que coisas tão banais como as abaixo também espalharam o medo pelo mundo:

1 - Um dia disseram que a iluminação de rua iria destruir o nosso conceito de dia e noite

Por milênios, as noites pertenciam a assassinos, pervertidos e ladrões. Naquela época, o pôr do sol era considerado tipo um toque de recolher. As pessoas corriam de volta para suas casas, trancavam as portas e se escondiam debaixo das cobertas, com velas acesas esperando o sol nascer de novo.

A vida era assim até que algumas cidades surgiram com a ideia de iluminação pública, que foi originalmente feita com lâmpadas de gás ao longo das ruas. Além dos benefícios de segurança pública, as pessoas puderam pode finalmente sair de casa sem carregar uma tocha flamejante como se estivessem a caminho de atacar o castelo do Frankenstein.

Quem iria reclamar de uma evolução dessas? Muitas pessoas. Inclusive muitas autoridades, que se opuseram à essa ideia por razões que vão desde problemas de saúde até implicações teológicas. SIM, também estou chocada.

Por um lado, as pessoas tinham medo de que manter cidades iluminadas após o sol se por criaria uma crise de saúde, como cidadãos que perderiam a hora de dormir perambulando pelas ruas – e isso naturalmente levaria a uma epidemia de resfriados (?).

Sempre que o assunto é algum tipo de pânico social, tem um personagem que sempre bate cartão. Claro, a Igreja Católica. Ela se opôs à iluminação pública alegando que Deus muito claramente estabeleceu a delimitação entre o dia e a noite, e colocar luzes após o anoitecer era como cuspir no rosto de Jesus. Em 1831, o Papa Gregório XVI foi ainda mais longe em proibir iluminação a gás nos estados papais, temendo que as horas extras de visibilidade permitiriam uma rebelião contra a Igreja.

2 - Usar paraquedas era considerado “covardia” entre pilotos dos Aliados

Em uma lista de equipamento essencial para um piloto de caça, um paraquedas provavelmente estaria no topo. Mas, durante a Primeira Guerra Mundial, quando tínhamos acabado de descobrir como montar aviões com armas para matar outros aviões, comandantes aliados proibiram o uso de paraquedas por seus homens, temendo os possíveis efeitos que tais medidas salva-vidas poderiam ter.

Comandantes aliados, em geral, acreditavam que se um piloto soubesse que tinha mesmo uma chance de sobreviver, ele seria menos propenso a tentar salvar a missão. E como os aviões biplanos da Primeira Guerra eram construídos principalmente de madeira, lona e a bênção de um sacerdote, ficar no ar e pousar com segurança era basicamente um milagre para começar.

Com o uso do paraquedas proibido, muitos pilotos tinham apenas um futuro possível: queimar vivo e cair rezando para que a queda os matasse rapidamente.

3 - Alguns temiam que para-raios impediriam a ira de Deus

A humanidade sempre viveu sob a tirania de um relâmpago que, desde os dias de Zeus, tem sido considerado um claro e direto “f*d*-se” do céu. Então, em 1749, o estadista americano e inventor Benjamin Franklin criou o que hoje conhecemos como para-raios.

O para-raios de Franklin levantou um dedo médio gigante para os céus, redirecionando os ferrolhos inofensivamente para o chão. No entanto, este foi um momento em que um raio ainda era visto basicamente como a responsabilidade dos demônios, e os para-raios foram acusados de causar um terremoto de 1755 em Massachusetts, nos Estados Unidos, devido ao redirecionamento dessas emissões demoníacas para a crosta da Terra.

Da mesma forma, na Boêmia, o padre Prokop Divis tinha inventado um dispositivo semelhante e proporcionado sua instalação ao longo de aldeias vizinhas; logo, os para-raios foram acusados de causar secas por, de alguma forma chocante, jogar a umidade para fora da terra.

Em 1756, para-raios foram derrubadas por multidões de camponeses irritados. Enquanto isso, em Boston, a invenção de Franklin foi denunciada pelo clero protestante como “varas heréticas” que abriam as portas do castigo divino sobre a cidade, proporcionando relâmpago com um caminho de menor resistência, impedindo assim a ira de Deus de ferir seus pecadores destinados.

Ironicamente, estas varetas de fúria justa sempre pareciam ignorar pubs, casas de jogo e prostíbulos para bater apenas em igrejas – que eram geralmente os edifícios mais altos em qualquer cidade, e muitas vezes tinham gigantes sinos de metal em suas torres.

4 - Alguns insistiam que turbinas eólicas podiam causar ansiedade e náuseas

A energia eólica fornece a países como a Dinamarca e Alemanha algo em torno de 10 a 20% de sua produção de energia, tudo isso sem poluir o meio ambiente. Mas, em alguns lugares, como nos Estados Unidos (QUEM DIRIA!?) e na Austrália, planejar a construção de turbinas eólicas é um pepino, porque alguns disseminam o medo de um bicho-papão de saúde conhecido como “síndrome da turbina de vento”.

De acordo com os sofredores, estar perto de turbinas eólicas pode desencadear toda uma infinidade de sintomas vagos, como vertigem, ansiedade, palpitações, náuseas e até esquecimento. Além disso, de acordo com a pesquisa científica, isso não é uma coisa que de fato exista, apesar de dezenas de processos judiciais tentarem argumentar que essas sensações de mal-estar são atribuíveis a um ventilador gigante.

Vítimas autoproclamadas de turbinas eólicas teorizam que é o zumbido de baixa frequência das lâminas o grande vilão da história. Muitas vezes, ele é baixo demais para realmente ser percebido pelo ouvido humano, mas de qualquer forma “perturba” a sua harmonia corporal.

Para testar esta teoria, os cientistas educaram um grupo de pessoas sobre os supostos perigos de sons de baixa frequência e, em seguida, colocaram essas pessoas em uma sala em que receberam o real “infrassom”, ou então receberam silêncio total que lhes foi dito como tal. O resultado foi que as pessoas registraram um pico de ansiedade tanto quando foram expostas ao som, quanto quando apenas acreditavam que tinham sido.

Isto significa que a “síndrome da turbina de vento” é provavelmente apenas um efeito psicológico, que é irmão do efeito placebo.

5 - Chegaram a alegar que uma viagem de trem poderia desintegrar as pessoas

Especificamente, as pessoas estavam preocupadas com os efeitos que viajar a velocidades insondáveis de até 30 km/h poderiam causar sobre o frágil corpo humano.

Propagandistas anti-trem alertaram que subir a bordo de uma dessas armadilhas de morte poderia, no pior dos casos, fazer com que o corpo humano se desintegrasse sob o estresse de viajar a velocidades que, nos dias de hoje, fariam você quer puxar uma arma e atirar em si mesmo.

Temia-se que os homens ficassem asfixiados, e as mulheres sofressem uma morte ainda mais violenta devido a seu corpo mais frágil.

Na verdade, houve até preocupações de que simplesmente ver um trem viajando prejudicaria o ambiente e levaria as pessoas à loucura. O medo era que um trem em movimento iria arruinar colheitas, coalhar o leite das vacas e até mesmo induzir uma forma de insanidade chamada de “delirium furiosum”. Foi, na verdade, recomendado que barreiras de 2 metros fossem erguidas ao lado dos trilhos para proteger as pessoas de ver os trens e ficarem insanas.

Adaptado de Cracked

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